sexta-feira, 19 de abril de 2013

Era tarde e sol
Era mais um dia
Passando, passando...
Mais um dia e só.
Dia da Poesia,
Dia a dia, cotidiano.

E o cansaço na pele,
No corpo, na cara,
O tempo que não para,
Ainda que se atropele.

A urgência de tudo,
A extrema necessidade,
O verso por sobrevivência...
Rima pobre em verso mudo.
De viver, nem a vontade;
E o silêncio, a insurgência.

Sob o calor de infernos maquinais
Brota a vida, pobre mortal;
E vivos nós, como algo tão banal,
Carne e osso à espera de mais...

E o saber que não se sabe
Vem do peito
A alma de toda a psicanálise
Que em mim não cabe.
Morte e vida ao leito,
Num grito: calem-se!

Eduardo Ferreira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Silêncio,
Saudade.
Vontade de
?

E partir.

Para um algum lugar direção qualquer que me queira.

Onde querer nada seja ter tudo.


E de longe ver ficar a vida distante.

Nos espaços vazios de sentido.

Nos vazios de espaço.

No sentido vazio.

No vazio,

No vazio,

Partir.

Eduardo Maskell

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Emigrante

Murilo Mendes

A nuvem andante acolhe o pássaro
Que saiu da estátua de pedra.
Sou aquela nuvem andante,
O pássaro e a estátua de pedra.
Recapitulei os fantasmas,
Corri de deserto em deserto,
Me expulsam da sombra do avião.
Tenho sede generosa,
Nenhuma fonte me basta.
Amigo! Irmão! Vou te levar
O trigo das terras do Egito,
Até o trigo que não tenho.
Egito! Egito! Amontoei
Para dar um dia a outrem:
Eis-me nu, vazio e pobre.
A sombra fértil de Deus
Não me larga um só instante.
Tirai-me o colar da febre:
Eu vos deixo minha sede,
Nada mais tenho de meu.